anti-paradise or Greenland Existential


terça-feira, 30 de abril de 2013

ANTI-PARADISE OR GREENLAND EXISTENTIAL


I



Estou no Vórtice de um Redemoinho


(Ciclone Invertido)


Derramado em Emulsão Scott...


Flutuam Entranhas de Bacalhau


Fígados, Almiscares e Âmbar...


Estou Atrás do Espelho


Numa Profusão de Magia e Pixel


Alice me Chama


(No Verso do Cristal Líquido)


E a Vida Mergulha sem Sentido no Sanguíneo


Nos Cabos Lógicos


No Wireless


No Devaneio...


Estou na Última Ceia


Servida em Távola de Abeto


Em Meio Alabastros Olorosos


Tombam os Mastros...


Visões e Demônios de Blake


Pensamentos Cinábrios


Vaporosos


Gólgota de Solidão e Sentimentos


Oxida o Metal


Derrama-se o Vinho


Ladainhas Intermináveis


No Púlpito Julgador


Canto de um Galo em Latim


Ecos da Toga do Pudor


Verte Sangue a Quatro Cantos...



***

II


Seus Pés Flutuam


Como um Santo em Êxtase


Porém seus Bípedes Tocam o Sangue da Expiação


Durante Séculos Evolui a Criação


Em Forma, Espíritos e Ideias


Mas o Hemo de Urano foi em Vão


A Barbárie e a Selvageria dominam


(Entre Elétrons e Quantuns)


Os Deuses, os Semi-Deuses e o Deus Uno morreram


O além do Homem não chegou


A Herança de Nietzsche Chora no Aquém


O Vale de Lagrimas Tumesceu as Cinzas


A Fênix É Mortal


Fechem as Férreas Portas do Paraíso...


***


III


Vermes de Deus


Soluções Tech de Hong-Kong


Pássaros Gorjeando num Gerúndio Interminável


Chips & Cana de Açúcar


Bites & Etanol


Marx & Smith


Resoluções para uma Nova Ideologia


Queria Estar Bem Diferente


Sem Ser


Sem Saber


Apenas Ter a Sombra do Etéreo...


***


IV


Lancinada Lanterna Lança Luz


No Crepúsculo da Caverna


Diógenes Procura...


Platão Filosofa a Cena


Imagens Distorcidas


Charruas Sulcam Chagas


Auroras e Paixões Mercuriais Incontidas


Na Epiderme da Razão...


O Crânio Vilipendiado Adoece


Sentimentos Ignotos Fulcram


Regem a Loucura Inconteste...


***


V


RETORNO


Procuramos Voltar


A Infância, ao Útero


Aos Anos Precedentes


Ao Genoma do Uno


***


VI


A Garganta Magnética


Sobr(e)coa repetindo Mantras


Misturas Tecnorientais


Enquanto Sexos se Dissolvem...


Tonitroantes Sons


Voluptuosas Aves Céticas


Palram no Zênite...


***


VII


ESCALPO


Estou Fora de Escopo


De Alvo


No Target


(Meus Mocassins Sioux Estão Fora de Moda)


***


VIII


METAIS


Os meus Sentimentos de Ouro


Tornaram-se Prata


Bronze


Hoje São Inexpugnáveis


Inoxidáveis



***


IX


Paraísos Perdidos de Milton


Sábias Sinfonizam ao Aroma de Chandons


Numa Tarde Infinita


Num Canto Esquecido da América


Mitologias 


Transformações da Consciência...


Romances Pipocam na Estante


Dotoiévski, Tolstoi & Rimbaud...


Além, muito Além das Cercanias


Redobram os Sinos Indomáveis de Caronte...


O Dardo Penetrou no Alvo


O Poeta tem o Dom da Morte e da Vida


Do Mote e da Verve


Do Etéreo e do Hades...


***


X


No Zênite Azul


A Abóboda dos Desejos Espera


No Fleuma de Viver


Admoestada a Fera...


***


XI


Relógios Decompostos Transmutam o Tempo


O Fractal e o Caos


A Morte Dá Certo Sentido a Vida...


***


XII


TEORIA SEM TEOR


Há Quanto Tempo a Luz Viaja no Espaço?


Os Olhos Miram a Ingratidão Quântica


Nos Melífluos Céus de Pez..


Plenílunio e Oceano


Foi Tudo em Vão



***


XIII


FOGO-DE-SANTELMO


Risca os Mastros


Na Solidão do Mar Imenso


Arde o Fogo Tenso


Sob os Astros...


Naus a Vela


Singram Oceanos...


Homens Livres e Reclusos


Sonhando nos Líquidos Planos...


***


XIV


Camões & Pessoas


Vivem e Sonham


Prosas e Poemas...


***


DESCONSTRUÇÃO POÉTICA


A Vida Flui de Acordo com os Vetores do Big-Bang


A Mente, a Linguagem, os Neurônios...


Do Ventre Saístes Sapiens


O Buraco Jaz te Espera...


Seguimos Desconstruindo a Esfera Gaia


Que Flutua na Sandice da Gravidade Relativa...


Tanto Tântalo como Thanatos


Habitam seus ingremes e Planos


Em Meio a Banquetes Peçonhentos


Ouvem o Repique dos Campanários do Purgatório


Que Evocam Arquétipos e Saudades Medievais...


EPILOGO:


Doces e Edulcorados Trinados em Meio da Tarde


Desconstroem Poesias Léxicas


Os Colibris com seus Acúleos Bicos


Decompõe a Flor ao Mesmo Tempo que Germinam


E meus Pensamentos em Fragmentos Divagam...


***


XV


A MORTE


Ela Vem com o Sol, Com Nuvens, Com Chuva


Se Torna Espessa Bruma...


Desaparece com  Verbos, Adjetivos


Mas quem Morre é o Substantivo...


Ela Advém do Lixo, do Luxo


Guarda Corpos, Almas e Memórias


Poesias e Historias...


Ela Está em Todas as Idades


In Vitro, Inocente & Culpada


Liberta ou Amarrada...


Ela Chega por Voz


Impressa


Telefone, E-mail, WhatsApp  & Carta Analógica


Sem Hora, Sem Data...


***


XVI


DESTINO


Vivenciei todas as Madrugadas


De Olhos Esbulhados e Fígado dilacerado


Esperei a Morte e o Transpassar das Lanças


Invólucros da Existência


Fui Lancinado pela Palingenia do Destino


Fiquei Só


***


XVII


CHURRASCO EXISTENCIAL


As Carnes Mortas


As Aves Inocentemente Gorjeando


Parece que elas Não Conhecem a Tristeza


De Bovinos Assando


A Cada Domingo...


O sol ainda Brilha


E a Consistência da Veneta


Desliza nos Trilhos dos Homens...


O Trem da Existência Desaparece


Esconde-se na Clausura do Espírito


Enquanto Carnívoros Devoram Vidas...


***


XVIII


FARSA PLANETÁRIA


Vênus em Oposição ao Sol


Pensando Ser uma Estrela


Teve seu Momento de Gloria


Segundos para Eternidade


Vã Vaidade  


No Sistema Solar...


***


XIX

Continua....

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